Blog das Carreiras Jurídicas pela Democracia

Fogos pela prisão de Lula

Um homem de 72 anos chega ao ambiente triste e hostil onde ficará encarcerado.

Sabe que ali permanecerá, longe da família, longe de amigos, longe das pessoas de quem gosta e confia.

Com nervos a flor da pele, viu concreta a possibilidade da morte, seja pelas costumeiras execuções de militantes sociais, seja pelos já recorrentes acidentes aéreos em nosso jovem país.

A aumentar sua agonia, ainda, o triste espetáculo do ódio: a pirotecnia daqueles que comemoram seu sofrimento.

Na rua, corpos habitados pelo ódio – produzido diariamente pela grande mídia (e, talvez, por seus próprios interesses mesquinhos) – e que, mais que comemorar, gozam um tétrico banquete, fel que ameniza a fome e sede de sangue que tanto lhes anima.

Um simples foguete – tantas vezes utilizado para expressar alegria e congregação – é arma certeira a sangrar a alma do inimigo, homem que provavelmente nunca viram e que talvez sequer lhes tenha feito mal, mas que serve ao sadismo expiatório: dá tons de aparente vitória às suas mini certezas, rede nebulosa que lhes faz tão propensos ao fascismo e à manipulação.

É mesmo uma legião de homens que odeia.

Odeiam o vermelho, porque para isso foram bem adestrados.

Odeiam os pobres, pela pretensão da igualdade.

Odeiam o nordeste, pela ousadia de seus cidadãos.

Odeiam a esquerda, por pensar um outro mundo, por não se contentar com a exploração e questionarem esse mundo “seguro”, onde obstinados odiadores são tão “livres”, mas livres para servir, trabalhar iludidos e morrer defendendo ideais de 06 ou 08 bilionários.

Do outro lado? Um santo? Não.

Talvez um homem inocente, de tudo quanto lhe acusam.

Talvez um homem com culpas, mas que se orgulha por ter sido o presidente brasileiro do combate à fome, da requalificação das universidades, da redução das desigualdades e inclusive do crescimento econômico, tão comemorado à época por todos os setores nacionais.

Ao final dos foguetes, no silêncio da noite se fim, imagino as lágrimas de Lula…

Tenho-as como minhas, pois também tenho culpas, mas não tanto ódio. Ainda me sinto humano, capaz de entender o outro e lhe querer mais bem do que mal.

O espetáculo termina (por hoje) e só posso desejar uma coisa: tomara que realmente exista um Deus. Não um Deus que os castigue, ou que os receba com pirotecnia em uma prisão eterna. Mas um Deus que lhes conceda uma nova chance.

Que esse lhes seja dado voltar à vida como homens e mulheres comuns, melhores, mais elegantes…

Que tenham a sorte, talvez, de não terem TV, de não conhecerem o fascismo egoísta e a ideologia do capital.

Que sejam, talvez, até mais pobres e sem estudo…, mas humanos.

E com a grandeza necessária para, enfim, fazerem um milésimo do que Lula fez pelos filhos deste país.

Créditos da Foto: Dênio Simões/ Agência Brasília (site Fotos Públicas).

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